Escleroterapia moderna: técnicas com espuma, avaliação venosa detalhada e protocolos de segurança para resultados estáveis

Conteúdo

Escleroterapia: Quando as Veias Precisam de Mais que um Simples “Sumiço”

Deixa eu te contar uma coisa que vejo no consultório toda semana. Paciente chega apontando para aqueles vasinhos nas pernas, achando que é só questão de estética. E eu sempre digo: “Olha, isso aqui é sinal de que seu sistema venoso está dando trabalho”. A verdade é que tratar telangiectasias e veias reticulares vai muito além da vaidade – é saúde vascular pura.

Na minha prática clínica de quase duas décadas, a escleroterapia se firmou como aquela técnica que realmente funciona. Mas tem um detalhe: muita gente erra feio nisso.

O segredo não está só na agulha ou no produto. Está no olho clínico. É preciso enxergar o que não aparece na superfície.

Como Funciona Essa Mágica (Que Não é Mágica)

A escleroterapia não faz as veias “desaparecerem”. Isso é mito. O que acontece é uma lesão controlada no endotélio – aquela camada interna do vaso. A reação inflamatória que segue é o que fecha o barco.

O vaso vira um cordão fibroso. O corpo absorve devagar. Pode levar semanas, meses.

Os agentes que uso? Bom, cada caso é um caso. A glicose hipertônica é minha preferida para quem tem histórico alérgico. É mais suave, o corpo tolera bem. Já o polidocanol… ah, esse é versátil. Dá pra usar puro ou fazer aquela espuma que revolucionou tudo.

Crioescleroterapia? Confesso que uso menos. O frio ajuda no desconforto, mas na minha experiência, os resultados são parecidos.

A Revolução da Espuma: Quando a Técnica Vira Arte

Lembro quando aprendi a técnica de Tessari para fazer espuma de polidocanol. Mudou completamente meu jeito de trabalhar. De repente, dava pra tratar veias maiores que antes só cirurgia resolvia.

A espuma desloca o sangue. Fica mais tempo em contato com a parede do vaso. O resultado? Eficácia que impressiona.

Mas atenção: sem ultrassom Doppler, nem pense em fazer ecoescleroterapia. É como dirigar no escuro. O risco de injetar numa artéria por engano existe, e as consequências podem ser sérias.

Segurança Primeiro, Sempre

O maior erro que vejo por aí? Médicos que não fazem uma avaliação decente antes de começar. Histórico de trombose? Distúrbios de coagulação? Essas perguntas são obrigatórias.

No meu protocolo, sempre incluo:

  • Mapeamento com VeinViewer – aquelas veias nutrizes que não aparecem a olho nu são as verdadeiras vilãs
  • Classificação CEAP pra entender a gravidade real do problema
  • Conversa franca sobre riscos: manchas escuras, matting (aqueles vasinhos fininhos que aparecem depois)

O consentimento informado não é burocracia. É respeito.

Depois da Agulha: O que Muita Gente Esquece

A sessão termina, o paciente vai embora. E aí? É aqui que muitos tratamentos falham.

Uso compressão elástica imediatamente após. Sem discussão. Ajuda no colapso venoso, reduz inchaço, previne complicações. E caminhar? Fundamental. Não é opcional.

Sol direto nas pernas tratadas? Esquece por pelo menos 15 dias. A hiperpigmentação pós-inflamatória é real, e o sol piora tudo.

Honestamente, o “segredo” não existe. É consistência. É seguir o plano.

O que Realmente Importa nos Resultados

Buscar só o aspecto estético é perder o ponto. O objetivo é função. É fazer o sistema circulatório trabalhar direito de novo.

Quando escolhem um especialista, olhem para a integração de técnicas. Só escleroterapia? Só laser? Na minha visão, o futuro está nos tratamentos híbridos.

A técnica CLaCS – laser com escleroterapia química – tem me dado resultados impressionantes. Menos sessões, mais segurança.

Mas no fim das contas, o que conta mesmo é o olho clínico. A experiência de saber quando usar o quê.

Se você está considerando tratamento, não caia em promessas milagrosas. Varizes são doença crônica. Exige manejo contínuo.

E qualquer dúvida, escreve aqui nos comentários. Respondo pessoalmente quando der – geralmente à noite, depois do consultório. Só peço que sejam respeitosos, porque medicina séria se faz com diálogo, não com gritaria.

Para consultar protocolos oficiais: A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) tem diretrizes atualizadas em sbacv.org.br. O Ministério da Saúde também publica orientações através do DATASUS. E se quiser dados epidemiológicos sólidos, o estudo “Prevalência de Doença Venosa Crônica no Brasil” do Journal of Vascular Brasileiro traz números que confirmam o que vejo na prática diária.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *